Heimat - Crónica de Uma Nostalgia, Partes 1 e 2
"Uma epopeia em duas partes para que a ida à sala de cinema em duplicado (sem repetições) nos faça lembrar que lá porque a palavra “saudade” não existe noutras línguas não se pode concluir que não haja mais gente a carregá-la ao peito. Edgar Reitz já tinha levado o assunto à televisão, quando se atirou a uma minissérie de grandes ambições, ainda durante os anos 80. Aqui adapta o conceito para as diferentes exigências de um formato também diferente, mas ainda com o mesmo princípio. Viajamos até Schabbach, o mesmo sítio e as mesmas famílias, mas antes do que Reitz contou em 1984.
Então a história começava após a Grande Guerra, continuando até ao presente da altura. Agora estamos na mesma aldeia fictícia mas em meados do século XIX, quando muitos alemães procuraram no Brasil (pronto a acolher quem o quisesse explorar) novas hipóteses e novas vidas. É uma crónica de emigração partindo de um país que hoje vive no lado contrário desse mesmo circuito. Uma contradição, na mesma medida em que Edgar Reitz foge da televisão para levar a história que transformou num sucesso (e cuja ideia tem até inspirado produções de outros países, seguindo o mesmo princípio, como a britânica BBC) ao cinema. Há significados em todos os recantos de “Heimat”, mas há sobretudo um conto épico que atravessa o tempo e o espaço. Os dois capítulos somam muitos minutos, quatro horas no total, mas sendo uma história de longo curso – e a prequela de uma obra com mais de 50 horas – é-o porque assim faz sentido."
In:http://www.ionline.pt/artigos/mais-cinema/critica-heimat-cronica-uma-nostalgia-partes-1-2-historia-interminavel

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