EVA: Catarina Vasconcelos
06:38

EVA: Catarina Vasconcelos



O curso de Design de Comunicação do 1º ano, no dia 14 de Abril, teve a oportunidade de assistir à apresentação da antiga aluna da FBAUL, Catarina Vasconcelos, acerca do projecto "EVA". 

O projecto EVA, Exclusão de Valor Acrescentado, é uma iniciativa promovida pelo Programa Escolhas em parceria com o Clube Português de Artes e Ideias, integrada no Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social.

"A iniciativa parte com a ambição de se constituir como uma pesquisa não estandardizada, com uma orientação metodológica destinada à acção , pela implementação de residências de desenvolvimento de projectos artísticos em conexão com as comunidades, mas também parte com o propósito de reflectir sobre as práticas artísticas nesta área que não é imune à contaminação da contemporaneidade, à quebra de distancias e de territorialidades , à transformação, modificação e constantes mutações que alteram a geografia social em várias escalas."


Após o convite para participar neste projecto, Catarina, juntamente com duas colegas, Joana Manaças e Catarina Gonçalves, instalaram-se no Bairro 6 de Maio e Bairro do Armador, com o objectivo de criar algum tipo de mudança nestes sitios.


Falando primeiro do bairro 6 de Maio. 
Catarina começou por nos descrever o ambiente deste bairro à primeira vista: todas as casas do bairro tinham sido construídas à mão, feitas de lata ou pedra, onde moravam sempre mais três pessoas do que a lotação permitida; a malha das ruas não tinha qualquer ordem, não existiam mapas daquele local, apenas feitos pelos moradores; e as portas não tinham números que as identificassem.

O bairro pode ser descrito como um local clandestino. Um autêntico país diferente para o qual as pessoas são transportadas quando atravessam este labirinto de casas.

Os membros são, maioritariamente, de Cabo Verde, usando crioulo como língua de dominância. Foi nos partilhado que Catarina e as suas colegas, quando experienciaram pela primeira vez o bairro, ao falarem com os seus membros, estes inicialmente apenas falavam neste dialecto, transmitindo o seu descontentamento em tê-las lá a "invadir" o seu espaço. Foi mais um obstáculo a conquistar através deste projecto, conhecer a sua população.

Associado ao bairro existe uma Organização Não Governamental chamada de "Anos Ki ta Manda", que significa "nós aqui é que mandamos". Através desta organização, começaram a conhecer as várias pessoas que faziam o bairro, como as "Miss Love", um grupo de dança para jovens raparigas. Foram se aproximado das pessoas através do processo constante de conhecer uma pessoa, conhecer a próxima, e a próxima. Do filhos para os pais e os avós a seguir. 

Cada pessoa tinha uma história para contar, cada uma tinha uma experiência de vida diferente. E através destas várias vivências, foram-se desenvolvendo pequenos projectos para ajudar a situação dos moradores, tendo como principal exemplo pintar casas.

O grupo decidiu intervir e, com ajuda dos habitantes, criaram um caminho de casas repintadas, com cores fortes, algumas com padrões de acordo com o gosto do dono. 
Após a conclusão do projecto, realizou-se uma "tour" por este caminho de casas pintadas, contando também com apresentações feitas pelos habitantes.

Relativo ao bairro do Armador, a experiência foi completamente diferente do Bairro 6 de Maio. O bairro do Armador tem uma estrutura organizada, prédios arranjados, alguns renovados. No entanto, a sua população é fechada, pouco acessível, por vezes agressiva. O grupo da Catarina tentou contactar estes membros através de um panfleto a explicar a sua iniciativa, esperando obter alguma resposta. Entre os vários panfletos espalhados, não houve uma única pessoa interessada em falar com elas.

Apesar desta tentativa inicial falhada, continuaram a esforçar-se para conhecer o bairro. 
Através do PISCJA, conheceram 8 jovens, entre os 16 e os 19 anos, que lhes mostraram o bairro, através de lugares por eles escolhidos onde contavam histórias ficcionadas ou reais. Foram elaboradas actividades, mas rapidamente foram esquecidas ou abandonadas por este grupo. Foi necessário concentrarem-se num grupo ainda mais novo, com crianças entre 11 e 14 anos.

O projecto terminou com a passagem de vídeos, numa sala cheia de armários e paralelepípedos, acerca desta aventura vivida no Bairro do Armador.

Numa perspectiva geral, esta apresentação das várias iniciativas e etapas passadas em cada bairro deu-nos, alunos de Design de Comunicação, um novo olhar sobre o conceito de bairro e seus moradores, e permitiu-nos reflectir sobre os nossos próprios projectos.





Informações acerca do projecto: https://projectoeva.wordpress.com





0 comments:

Enviar um comentário